INTRODUÇÃO
No âmbito da análise do Tema 1 – Avaliação
Pedagógica: Caminhos de Mudança, o meu grupo (Trio G) desenvolveu uma reflexão
conjunta a partir dos textos de Jorge Pinto (2016) e David Boud (2020). O
objetivo foi compreender a evolução histórica e conceptual da avaliação
educacional, assim como os desafios e as propostas de inovação que se colocam
hoje, em particular no ensino superior e em ambientes digitais.
A síntese que se segue resulta de um trabalho
colaborativo e crítico, procurando articular os contributos teóricos dos dois
autores com as exigências atuais de uma avaliação mais ética, participativa e
formadora. Posteriormente, aprofundámos esta análise através do debate em
fórum, o que nos permitiu confrontar ideias, levantar questões pertinentes e
enriquecer a nossa compreensão sobre os modelos avaliativos discutidos.
Este exercício permitiu-nos, enquanto profissionais da educação, repensar o papel da avaliação como parte integrante do processo de ensino-aprendizagem e não apenas como instrumento de medição.
PRODUÇÃO DE GRUPO
Ideias-chave e articulações entre os textos de Pinto (2016) e Boud (2020)
Imagem gerada pela IA ChatGPT - OpenAI
👉 Esta ilustração simboliza a transição da avaliação tradicional para práticas mais formativas, éticas e centradas no estudante, refletindo os principais contributos de Pinto (2016) e Boud (2020) sobre os desafios e caminhos de mudança na avaliação educacional.
👉 O texto que se
segue resulta de uma análise crítica desenvolvida em grupo, no âmbito do Tema 1
– Avaliação Pedagógica: Caminhos de Mudança, e articula as perspetivas de Pinto
(2016) e Boud (2020) sobre a evolução da avaliação educacional, destacando tensões,
desafios e possibilidades de transformação.
A Evolução e os Desafios da Avaliação Educacional:
Entre a Tradição e a Inovação
Pinto (2016) traçou o percurso
histórico e teórico da avaliação com base em quatro gerações (Guba e Lincoln
,1989, como citado em Pinto, 2016): a primeira, como medida, privilegia testes
padronizados e rankings; a segunda, como congruência, compara o desempenho dos
alunos com objetivos e critérios claros; a terceira, como julgamento
profissional, valoriza a interpretação do professor sobre os processos de
aprendizagem; e a quarta, como processo social e interativo, integra diferentes
atores educativos e enfatiza a avaliação como uma prática relacional,
contextualizada e colaborativa.
O autor apresenta ainda três
funções principais da avaliação - formativa, certificativa e
seletiva/orientadora (Cardinet,1983, como citado em Pinto, 2016) - às quais
acrescenta uma quarta, a informativa (Pinto, 2006, citado em Pinto, 2016). A
função formativa regula o processo de ensino e aprendizagem; a certificativa
atesta conhecimentos e competências; a seletiva/orientadora define trajetórias
académicas e profissionais e a informativa, fornece pistas para ação pedagógica
e apoio ao estudante.
Pinto (2016), articula as três
dinâmicas pedagógicas de Houssaye (1993) associadas a diferentes lógicas de
avaliação: no modelo “ensinar”, o foco recai sobre o professor e o conteúdo,
com predominância da avaliação sumativa; no modelo “formar”, prioriza-se a
relação professor-aluno, evidenciando a avaliação formativa; e no modelo
“aprender”, dá-se ênfase à autonomia do aluno, implicando uma avaliação
formadora. Pinto (2016) destaca que essas dinâmicas são moldadas pelas
especificidades do contexto institucional e pelas culturas
avaliativas dominantes,
evidenciando que a avaliação não é um processo neutro ou uniforme, mas sim
influenciado por fatores sociais, históricos, éticos e pedagógicos.
Já Boud (2020) aprofunda a
discussão sobre o futuro da avaliação no ensino superior evidenciando a
transição de um modelo centrado na mera medição de resultados para uma
abordagem orientada para a aprendizagem ao longo da vida. O autor introduz a
ideia de avaliação sustentável, que envolve ativamente o estudante no processo,
desenvolvendo a capacidade de autoavaliar o seu desempenho e de avaliar
criticamente os percursos formativos em que está inserido, contribuindo para a
melhoria contínua do seu próprio processo de aprendizagem e do sistema
educativo como um todo.
Ambos os textos convergem na defesa
de uma reconfiguração profunda da avaliação, que se posiciona como um
instrumento pedagógico ao serviço da aprendizagem e da equidade. Pinto (2016)
destaca a diversidade e coexistência de práticas avaliativas nas instituições;
Boud (2020) insiste na necessidade de envolvimento ativo dos estudantes no
planeamento, condução e análise da avaliação, desenvolvendo o seu julgamento
crítico e autorregulação.
A tecnologia surge como um ponto de articulação relevante. Boud (2020) realça o seu potencial para personalizar a aprendizagem e criar ambientes avaliativos mais flexíveis, autênticos e interativos. Pinto (2016), embora sem foco específico na tecnologia, permite a necessidade de adaptação dos modelos avaliativos a novas realidades educativas. Ambos valorizam o feedback eficaz e as metodologias ativas, apontando a tecnologia como um instrumento potenciador, quando alinhado com finalidades pedagógicas.
Em síntese, os dois autores propõem uma mudança de paradigma na avaliação educacional, que deve equilibrar rigor com flexibilidade, valorizar o contexto, promover a participação e assumir-se como uma ferramenta, ética inclusiva e orientada para o desenvolvimento global dos estudantes.
Abaixo,👇partilho o link de acesso ao texto produzido em coautoria no âmbito do trabalho de grupo: 🔗Trio G
Avaliar para transformar implica
repensar profundamente os propósitos da avaliação, reconhecendo o seu papel
central na promoção de aprendizagens significativas e no desenvolvimento
integral dos alunos.
CONTRIBUTOS DOS COLEGAS
Múltiplas leituras da Avaliação Pedagógica
Para além da reflexão produzida
pelo nosso grupo, este primeiro momento de análise e debate no âmbito do Tema 1
– Avaliação Pedagógica: Caminhos de Mudança proporcionou também a leitura e o
diálogo crítico com os contributos desenvolvidos por vários pares e um trio de
colegas. Os textos produzidos resultam de um exercício de análise colaborativa
dos autores Pinto (2016) e Boud (2020), e foram posteriormente partilhados no
fórum da unidade curricular. Abaixo, ficam disponíveis os links diretos para
cada uma das reflexões, possibilitando o acesso à diversidade de perspetivas e
à riqueza do pensamento coletivo.
🔗 LINKS:
• Par D
REFLEXÃO INDIVIDUAL A PARTIR DO DEBATE COLETIVO
Refletir a avaliação: entre a tradição e a mudança
No seguimento das leituras realizadas (Pinto,
2006; Boud, 2020) e da reflexão partilhada em grupo, foram também promovidas
trocas de ideias e comentários entre colegas no fórum da unidade curricular.
Abaixo partilho os contributos que elaborei, integrando diferentes perspetivas
e procurando valorizar o debate em torno dos desafios e caminhos de mudança na
avaliação educacional.
As minhas intervenções no fórum sobre o Tema 1
permitiram-me revisitar criticamente os fundamentos da avaliação educacional, a
partir das perspetivas de Pinto e Boud, mas também dialogar com os olhares dos
colegas e repensar a avaliação no contexto atual. Como já sublinha Pinto
(2006), ao discutir a evolução da avaliação, o seu papel não pode restringir-se
à simples verificação de resultados: deve contribuir para melhorar os processos
de ensino e aprendizagem, permitindo decisões informadas e intervenções pedagógicas
ajustadas. Nesta linha, Boud reforça a ideia de que “la evaluación enmarca
poderosamente cómo los estudiantes aprenden y qué es lo que logran. Es una de
las influencias más significativas en la experiencia de los estudiantes en la
educación superior y todo lo que ganan con ella” (2020, p. 4). Esta perspetiva
convida-nos a recentrar a avaliação no essencial: as aprendizagens dos
estudantes e a sua experiência transformadora no percurso educativo.
Com base nesta reflexão, questionei de que forma
a avaliação pode efetivamente promover a autonomia e o envolvimento dos alunos,
e não apenas classificá-los. Coloquei em debate a necessidade de uma avaliação
mais formativa, participativa e alinhada com os contextos e os sujeitos
envolvidos no processo. O conceito de “avaliação como uma prática social
complexa” (Pinto, 2006) foi fundamental para sustentar esta visão, desafiando
modelos padronizados e pouco dialógicos ainda muito presentes na realidade escolar.
Valorizei ainda os contributos dos colegas que
salientaram a tensão entre avaliação formativa e sumativa, e as resistências
que persistem na mudança de práticas. Reforcei a ideia de que mudar a avaliação
implica também transformar conceções e culturas profissionais, num percurso que
exige tempo, diálogo e apoio institucional. A avaliação deve ser compreendida
como um processo contínuo de construção partilhada de sentido, e não apenas
como um instrumento de registo ou decisão.
Estas interações e leituras desafiaram-me a
pensar na avaliação como uma poderosa alavanca pedagógica. Ao refletir sobre a
minha prática, reconheço a importância de criar espaços de escuta, de devolução
significativa de feedback, e de corresponsabilização dos alunos na definição
dos critérios e processos avaliativos. Avaliar, afinal, é também construir com
e não apenas avaliar sobre.
PERCURSO REFLEXIVO
Avaliar para transformar: caminhos pessoais de mudança na educação
A abordagem ao Tema 1 – Avaliação Pedagógica:
Caminhos de Mudança constituiu um verdadeiro exercício de revisitação crítica
de conceitos, práticas e sentidos da avaliação no contexto educativo
contemporâneo. Ao longo deste percurso, fui desafiada a reler a história da
avaliação, a compreender a sua evolução epistemológica e a confrontar as suas
finalidades tradicionais com novas exigências formativas, mais coerentes com os
princípios da educação para a aprendizagem, da equidade e da inclusão.
A leitura dos textos de Jorge Pinto (2006) e de
David Boud (2020) exigiu atenção e análise cuidadosa. Pinto trouxe-me uma
perspetiva histórica fundamentada, permitindo compreender como as ideias sobre
avaliação se foram transformando ao longo do tempo, muitas vezes sem reflexo
imediato nas práticas. Já Boud despertou em mim uma consciência mais profunda
sobre o impacto da avaliação na forma como os alunos aprendem e se envolvem com
a aprendizagem – uma ideia que ecoou ao longo de todo o trabalho.
O trabalho em grupo foi, sem dúvida, uma
mais-valia. A coautoria do texto "A Evolução e os Desafios da Avaliação
Educacional: Entre a Tradição e a Inovação", realizado com Marília e
Pâmella, exigiu diálogo, escuta, articulação de ideias e cedências mútuas –
competências que considero tão importantes quanto o próprio conteúdo. A
reflexão conjunta permitiu-nos criar um texto coeso, fundamentado, mas também
impregnado da nossa vivência docente e das inquietações que nos atravessam.
A participação nos fóruns foi igualmente
enriquecedora. Os comentários dos colegas e as nossas trocas reflexivas
aprofundaram o debate e alargaram o meu entendimento sobre as práticas
avaliativas em diferentes contextos. A diversidade de perspetivas funcionou
como espelho e alavanca para repensar as minhas próprias opções pedagógicas,
nomeadamente no que respeita à intencionalidade da avaliação, ao feedback
formativo, à justiça avaliativa e à participação dos alunos nos processos de
avaliação.
No plano pessoal, este tema levou-me a questionar
mais profundamente a avaliação que pratico. Reconheço que, embora procure há
muito uma abordagem formativa, ainda há em mim resquícios de modelos mais
tradicionais e normativos. Esta consciência crítica é o primeiro passo para
mudar. Como professora, levo comigo a convicção de que a avaliação pode, e
deve, ser um processo ético, participativo e transformador, ao serviço da
aprendizagem e do desenvolvimento integral dos alunos.
Autoavaliação: Considero que o meu percurso neste
tema foi consistente e comprometido. Cumpri todas as tarefas propostas com
rigor e dentro dos prazos estabelecidos, participei ativamente no trabalho de
grupo e nos fóruns, procurando sempre contribuir de forma crítica e
construtiva. Este envolvimento permitiu-me consolidar conceitos e aprofundar a
reflexão sobre o papel da avaliação na minha prática docente. Sinto que evoluí
na minha compreensão dos modelos e finalidades da avaliação pedagógica, e que
este processo foi coerente com os objetivos de aprendizagem da unidade
curricular. Reconheço que o caminho é contínuo, mas saio desta etapa com maior
consciência, clareza e motivação para transformar a minha prática avaliativa.
REFERÊNCIAS
Boud, D. (2020). Retos en la reforma de la evaluación en educación superior: una mirada desde la lejanía. RELIEVE, 26(1), art. M3. http://doi.org/10.7203/relieve.26.1.17088
Pinto, J. (2016)"A avaliação em educação: Da
linearidade dos usos à complexidade das práticas", in: L.Amante &
I.Oliveira (coords) Avaliação das Aprendizagens: Perspetivas , contextos
e práticas. Lisboa: Le@D, Universidade Aberta (3-40).http://hdl.handle.net/10400.26/21798
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