sábado, 19 de julho de 2025

TEMA 1: AVALIAÇÃO PEDAGÓGICA - CAMINHOS DE MUDANÇA





INTRODUÇÃO  


No âmbito da análise do Tema 1Avaliação Pedagógica: Caminhos de Mudança, o meu grupo (Trio G) desenvolveu uma reflexão conjunta a partir dos textos de Jorge Pinto (2016) e David Boud (2020). O objetivo foi compreender a evolução histórica e conceptual da avaliação educacional, assim como os desafios e as propostas de inovação que se colocam hoje, em particular no ensino superior e em ambientes digitais.

A síntese que se segue resulta de um trabalho colaborativo e crítico, procurando articular os contributos teóricos dos dois autores com as exigências atuais de uma avaliação mais ética, participativa e formadora. Posteriormente, aprofundámos esta análise através do debate em fórum, o que nos permitiu confrontar ideias, levantar questões pertinentes e enriquecer a nossa compreensão sobre os modelos avaliativos discutidos.

Este exercício permitiu-nos, enquanto profissionais da educação, repensar o papel da avaliação como parte integrante do processo de ensino-aprendizagem e não apenas como instrumento de medição.



PRODUÇÃO DE GRUPO


 Ideias-chave e articulações entre os textos de Pinto (2016) e Boud (2020)



Imagem gerada pela IA ChatGPT - OpenAI

👉 Esta ilustração simboliza a transição da avaliação tradicional para práticas mais formativas, éticas e centradas no estudante, refletindo os principais contributos de Pinto (2016) e Boud (2020) sobre os desafios e caminhos de mudança na avaliação educacional.


👉 O texto que se segue resulta de uma análise crítica desenvolvida em grupo, no âmbito do Tema 1 – Avaliação Pedagógica: Caminhos de Mudança, e articula as perspetivas de Pinto (2016) e Boud (2020) sobre a evolução da avaliação educacional, destacando tensões, desafios e possibilidades de transformação.


A Evolução e os Desafios da Avaliação Educacional: Entre a Tradição e a Inovação

Pinto (2016) traçou o percurso histórico e teórico da avaliação com base em quatro gerações (Guba e Lincoln ,1989, como citado em Pinto, 2016): a primeira, como medida, privilegia testes padronizados e rankings; a segunda, como congruência, compara o desempenho dos alunos com objetivos e critérios claros; a terceira, como julgamento profissional, valoriza a interpretação do professor sobre os processos de aprendizagem; e a quarta, como processo social e interativo, integra diferentes atores educativos e enfatiza a avaliação como uma prática relacional, contextualizada e colaborativa.

O autor apresenta ainda três funções principais da avaliação - formativa, certificativa e seletiva/orientadora (Cardinet,1983, como citado em Pinto, 2016) - às quais acrescenta uma quarta, a informativa (Pinto, 2006, citado em Pinto, 2016). A função formativa regula o processo de ensino e aprendizagem; a certificativa atesta conhecimentos e competências; a seletiva/orientadora define trajetórias académicas e profissionais e a informativa, fornece pistas para ação pedagógica e apoio ao estudante.

Pinto (2016), articula as três dinâmicas pedagógicas de Houssaye (1993) associadas a diferentes lógicas de avaliação: no modelo “ensinar”, o foco recai sobre o professor e o conteúdo, com predominância da avaliação sumativa; no modelo “formar”, prioriza-se a relação professor-aluno, evidenciando a avaliação formativa; e no modelo “aprender”, dá-se ênfase à autonomia do aluno, implicando uma avaliação formadora. Pinto (2016) destaca que essas dinâmicas são moldadas pelas especificidades do contexto institucional e pelas culturas

avaliativas dominantes, evidenciando que a avaliação não é um processo neutro ou uniforme, mas sim influenciado por fatores sociais, históricos, éticos e pedagógicos.

Já Boud (2020) aprofunda a discussão sobre o futuro da avaliação no ensino superior evidenciando a transição de um modelo centrado na mera medição de resultados para uma abordagem orientada para a aprendizagem ao longo da vida. O autor introduz a ideia de avaliação sustentável, que envolve ativamente o estudante no processo, desenvolvendo a capacidade de autoavaliar o seu desempenho e de avaliar criticamente os percursos formativos em que está inserido, contribuindo para a melhoria contínua do seu próprio processo de aprendizagem e do sistema educativo como um todo.

Ambos os textos convergem na defesa de uma reconfiguração profunda da avaliação, que se posiciona como um instrumento pedagógico ao serviço da aprendizagem e da equidade. Pinto (2016) destaca a diversidade e coexistência de práticas avaliativas nas instituições; Boud (2020) insiste na necessidade de envolvimento ativo dos estudantes no planeamento, condução e análise da avaliação, desenvolvendo o seu julgamento crítico e autorregulação.

A tecnologia surge como um ponto de articulação relevante. Boud (2020) realça o seu potencial para personalizar a aprendizagem e criar ambientes avaliativos mais flexíveis, autênticos e interativos. Pinto (2016), embora sem foco específico na tecnologia, permite a necessidade de adaptação dos modelos avaliativos a novas realidades educativas. Ambos valorizam o feedback eficaz e as metodologias ativas, apontando a tecnologia como um instrumento potenciador, quando alinhado com finalidades pedagógicas.            

Em síntese, os dois autores propõem uma mudança de paradigma na avaliação educacional, que deve equilibrar rigor com flexibilidade, valorizar o contexto, promover a participação e assumir-se como uma ferramenta, ética inclusiva e orientada para o desenvolvimento global dos estudantes.


Abaixo,👇partilho o link de acesso ao texto produzido em coautoria no âmbito do trabalho de grupo: 🔗Trio G

 


                                                                   Imagem gerada pela IA ChatGPT - OpenAI

 

Avaliar para transformar implica repensar profundamente os propósitos da avaliação, reconhecendo o seu papel central na promoção de aprendizagens significativas e no desenvolvimento integral dos alunos.


CONTRIBUTOS DOS COLEGAS


Múltiplas leituras da Avaliação Pedagógica


Para além da reflexão produzida pelo nosso grupo, este primeiro momento de análise e debate no âmbito do Tema 1 – Avaliação Pedagógica: Caminhos de Mudança proporcionou também a leitura e o diálogo crítico com os contributos desenvolvidos por vários pares e um trio de colegas. Os textos produzidos resultam de um exercício de análise colaborativa dos autores Pinto (2016) e Boud (2020), e foram posteriormente partilhados no fórum da unidade curricular. Abaixo, ficam disponíveis os links diretos para cada uma das reflexões, possibilitando o acesso à diversidade de perspetivas e à riqueza do pensamento coletivo.

 

🔗 LINKS:

                   • Par A                                    • Par E

                 • Par B                                      Par F

                 • Par C                                   Par J

                     • Par D 

         

      

REFLEXÃO INDIVIDUAL A PARTIR DO DEBATE COLETIVO


                                                                    Imagem gerada pela IA ChatGPT - OpenAI

Refletir a avaliação: entre a tradição e a mudança


No seguimento das leituras realizadas (Pinto, 2006; Boud, 2020) e da reflexão partilhada em grupo, foram também promovidas trocas de ideias e comentários entre colegas no fórum da unidade curricular. Abaixo partilho os contributos que elaborei, integrando diferentes perspetivas e procurando valorizar o debate em torno dos desafios e caminhos de mudança na avaliação educacional.

As minhas intervenções no fórum sobre o Tema 1 permitiram-me revisitar criticamente os fundamentos da avaliação educacional, a partir das perspetivas de Pinto e Boud, mas também dialogar com os olhares dos colegas e repensar a avaliação no contexto atual. Como já sublinha Pinto (2006), ao discutir a evolução da avaliação, o seu papel não pode restringir-se à simples verificação de resultados: deve contribuir para melhorar os processos de ensino e aprendizagem, permitindo decisões informadas e intervenções pedagógicas ajustadas. Nesta linha, Boud reforça a ideia de que “la evaluación enmarca poderosamente cómo los estudiantes aprenden y qué es lo que logran. Es una de las influencias más significativas en la experiencia de los estudiantes en la educación superior y todo lo que ganan con ella” (2020, p. 4). Esta perspetiva convida-nos a recentrar a avaliação no essencial: as aprendizagens dos estudantes e a sua experiência transformadora no percurso educativo.

Com base nesta reflexão, questionei de que forma a avaliação pode efetivamente promover a autonomia e o envolvimento dos alunos, e não apenas classificá-los. Coloquei em debate a necessidade de uma avaliação mais formativa, participativa e alinhada com os contextos e os sujeitos envolvidos no processo. O conceito de “avaliação como uma prática social complexa” (Pinto, 2006) foi fundamental para sustentar esta visão, desafiando modelos padronizados e pouco dialógicos ainda muito presentes na realidade escolar.

Valorizei ainda os contributos dos colegas que salientaram a tensão entre avaliação formativa e sumativa, e as resistências que persistem na mudança de práticas. Reforcei a ideia de que mudar a avaliação implica também transformar conceções e culturas profissionais, num percurso que exige tempo, diálogo e apoio institucional. A avaliação deve ser compreendida como um processo contínuo de construção partilhada de sentido, e não apenas como um instrumento de registo ou decisão.

Estas interações e leituras desafiaram-me a pensar na avaliação como uma poderosa alavanca pedagógica. Ao refletir sobre a minha prática, reconheço a importância de criar espaços de escuta, de devolução significativa de feedback, e de corresponsabilização dos alunos na definição dos critérios e processos avaliativos. Avaliar, afinal, é também construir com e não apenas avaliar sobre.

 

 

PERCURSO REFLEXIVO

 

Avaliar para transformar: caminhos pessoais de mudança na educação

 

A abordagem ao Tema 1 – Avaliação Pedagógica: Caminhos de Mudança constituiu um verdadeiro exercício de revisitação crítica de conceitos, práticas e sentidos da avaliação no contexto educativo contemporâneo. Ao longo deste percurso, fui desafiada a reler a história da avaliação, a compreender a sua evolução epistemológica e a confrontar as suas finalidades tradicionais com novas exigências formativas, mais coerentes com os princípios da educação para a aprendizagem, da equidade e da inclusão.

A leitura dos textos de Jorge Pinto (2006) e de David Boud (2020) exigiu atenção e análise cuidadosa. Pinto trouxe-me uma perspetiva histórica fundamentada, permitindo compreender como as ideias sobre avaliação se foram transformando ao longo do tempo, muitas vezes sem reflexo imediato nas práticas. Já Boud despertou em mim uma consciência mais profunda sobre o impacto da avaliação na forma como os alunos aprendem e se envolvem com a aprendizagem – uma ideia que ecoou ao longo de todo o trabalho.

O trabalho em grupo foi, sem dúvida, uma mais-valia. A coautoria do texto "A Evolução e os Desafios da Avaliação Educacional: Entre a Tradição e a Inovação", realizado com Marília e Pâmella, exigiu diálogo, escuta, articulação de ideias e cedências mútuas – competências que considero tão importantes quanto o próprio conteúdo. A reflexão conjunta permitiu-nos criar um texto coeso, fundamentado, mas também impregnado da nossa vivência docente e das inquietações que nos atravessam.

A participação nos fóruns foi igualmente enriquecedora. Os comentários dos colegas e as nossas trocas reflexivas aprofundaram o debate e alargaram o meu entendimento sobre as práticas avaliativas em diferentes contextos. A diversidade de perspetivas funcionou como espelho e alavanca para repensar as minhas próprias opções pedagógicas, nomeadamente no que respeita à intencionalidade da avaliação, ao feedback formativo, à justiça avaliativa e à participação dos alunos nos processos de avaliação.

No plano pessoal, este tema levou-me a questionar mais profundamente a avaliação que pratico. Reconheço que, embora procure há muito uma abordagem formativa, ainda há em mim resquícios de modelos mais tradicionais e normativos. Esta consciência crítica é o primeiro passo para mudar. Como professora, levo comigo a convicção de que a avaliação pode, e deve, ser um processo ético, participativo e transformador, ao serviço da aprendizagem e do desenvolvimento integral dos alunos.

Autoavaliação: Considero que o meu percurso neste tema foi consistente e comprometido. Cumpri todas as tarefas propostas com rigor e dentro dos prazos estabelecidos, participei ativamente no trabalho de grupo e nos fóruns, procurando sempre contribuir de forma crítica e construtiva. Este envolvimento permitiu-me consolidar conceitos e aprofundar a reflexão sobre o papel da avaliação na minha prática docente. Sinto que evoluí na minha compreensão dos modelos e finalidades da avaliação pedagógica, e que este processo foi coerente com os objetivos de aprendizagem da unidade curricular. Reconheço que o caminho é contínuo, mas saio desta etapa com maior consciência, clareza e motivação para transformar a minha prática avaliativa.



 REFERÊNCIAS


Boud, D. (2020). Retos en la reforma de la evaluación en educación superior: una mirada desde la lejanía. RELIEVE, 26(1), art. M3. http://doi.org/10.7203/relieve.26.1.17088


Pinto, J. (2016)"A avaliação em educação: Da linearidade dos usos à complexidade das práticas", in: L.Amante & I.Oliveira (coords) Avaliação das Aprendizagens: Perspetivas , contextos e práticas. Lisboa: Le@D, Universidade Aberta (3-40).http://hdl.handle.net/10400.26/21798 

 














































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