AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO ONLINE:
ENTRE O RIGOR TEÓRICO E A APLICAÇÃO PRÁTICA
Introdução
Avaliar
para transformar: esta frase, que tem vindo a acompanhar o meu percurso nesta
unidade curricular, encontrou no Tema 4 uma concretização especialmente
desafiante e significativa.
Partindo da análise de modelos teóricos robustos e exigentes, fomos desafiados a aplicar esses princípios ao desenho de um plano de avaliação para um módulo de formação online, com base nos textos orientadores fornecidos pela professora e num processo de trabalho colaborativo em grupo. Esta experiência exigiu um equilíbrio constante entre aprofundamento teórico e aplicabilidade prática, conciliando qualidade académica com viabilidade pedagógica.
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Fase 1 – Leitura, análise e
debate dos modelos teóricos
Durante
esta fase inicial, e com base nos textos 1 e 2, indicados pela professora, aprofundei
o estudo de dois modelos de avaliação complementares e teoricamente robustos. O
modelo PrACT (Amante et al., 2017) ajudou-me a compreender a avaliação como uma
prática situada, influenciada pela cultura organizacional, pelas experiências
dos intervenientes e pelos contextos institucionais. Valoriza-se a centralidade
da aprendizagem, a interação com os contextos digitais e o compromisso com a
melhoria contínua da prática avaliativa.
Por
sua vez, o modelo ADDF – Assessment Design Decisions Framework (Bearman et al.,
2016) introduziu uma grelha de decisão centrada em quatro dimensões essenciais:
Propósito, Recursos, Escala e Tempo. Este modelo permitiu-me problematizar
decisões de design de avaliação que muitas vezes tomamos de forma implícita, e
pensar em como tornar essas decisões mais conscientes, alinhadas com os
contextos de formação online e com as necessidades dos formandos.
O debate no fórum foi particularmente significativo. A análise partilhada com as colegas Marília e Pâmella permitiu-nos traçar paralelismos e distinções entre os dois modelos: enquanto o PrACT enfatiza a dimensão contextual, cultural e ética da avaliação, o ADDF convida-nos a estruturar o processo de planeamento com foco em decisões práticas e pedagógicas. Este cruzamento de perspetivas levou-nos a refletir sobre como unir coerência formativa e flexibilidade contextual, e a preparar o caminho para a definição do nosso plano de avaliação.
Esta primeira etapa foi, assim, mais do que uma leitura teórica: foi um exercício de confronto de ideias, de análise crítica e de diálogo académico, que consolidou o meu entendimento sobre a avaliação online como prática situada, reflexiva e intencional.
Fase
2 – Conceção e partilha do plano de avaliação em coautoria
Com base no quadro teórico analisado na Fase 1, o meu grupo G concebeu o Plano de Avaliação do Módulo 5 – Avaliação Online, integrado no curso "Da ideia à ação – Design educacional aplicado ao ensino online". Este módulo incide sobre competências essenciais na educação online, como a conceção de rubricas, a planificação do feedback e a reflexão crítica sobre os processos avaliativos.
A matriz orientadora do plano foi adaptada do texto 3 (Amante & Oliveira, 2019), que serviu como guia estruturante para garantir coerência entre os objetivos do módulo, as atividades propostas e os instrumentos de avaliação. Procurámos promover uma avaliação formativa e participada, focada na aprendizagem e no desenvolvimento profissional dos formandos.
Recorremos
aos textos 6 e 7 para fundamentar a seleção das estratégias de feedback e das
rubricas utilizadas:
- Texto 6: Fernandes (2021), que reforça a clareza, a acessibilidade e a validade dos critérios de avaliação;
- Texto 7: Panadero & Johnson (2013), que discutem o potencial formativo das rubricas e o seu impacto no envolvimento dos estudante
O plano de avaliação foi concebido em coautoria com as minhas duas colegas de grupo, num processo colaborativo que combinou análise teórica, discussão pedagógica e aplicação prática dos referenciais estudados. A
construção colaborativa foi um processo exigente, mas altamente enriquecedor:
distribuiu-se o trabalho com equidade, articulando responsabilidades,
experiências e ideias. Foram realizadas reuniões regulares, partilhadas versões
intermédias do documento e debatidas opções com base nos referenciais teóricos.
Esta dinâmica potenciou a qualidade do plano final e reforçou a aprendizagem
coletiva. Senti que crescemos enquanto grupo e também enquanto agentes de
mudança mais conscientes, capazes de desenhar propostas alinhadas com os
princípios do eLearning transformador.
🔗 LINKS Grupo G:
Plano de Avaliação (PDF)Curso na plataforma Moodle (“Da ideia à ação – Design educacional aplicado ao ensino online”)
Apresentação no Canva (“Avaliação Online”)
De forma a consolidar o alinhamento entre teoria e prática, a seguinte tabela sistematiza os elementos estruturantes do plano de avaliação, a respetiva fundamentação teórica e o contributo específico de cada um para os objetivos pedagógicos do Módulo 5 – Avaliação Online.
O trabalho desenvolvido ao longo do Tema 4 consolidou a minha capacidade de conceber práticas avaliativas coerentes, fundamentadas teoricamente e verdadeiramente orientadas para a aprendizagem e o desenvolvimento dos formandos.
Partilha colaborativa da turma
O
trabalho desenvolvido ao longo do Tema 4 não se esgotou no plano do nosso
grupo. O fórum final constituiu um espaço rico de reflexão e entreajuda, no
qual cada grupo apresentou propostas distintas e bem fundamentadas,
contribuindo para um olhar mais plural e crítico sobre o desenho da avaliação
online.
Abaixo
partilho os planos de avaliação elaborados colaborativamente pelos diferentes
grupos, cujas abordagens complementares enriqueceram significativamente o
processo coletivo de aprendizagem:
🔗 LINKS:
Fase final – Discussão e melhoria
A
partilha e o debate no Fórum A4 revelaram-se extremamente enriquecedores.
Recebemos sugestões de melhoria muito pertinentes, que nos levaram a refletir
sobre aspetos cruciais, como:
- A acessibilidade dos instrumentos avaliativos face à diversidade dos formandos;
- O equilíbrio entre estrutura e flexibilidade no feedback;
- O grau de envolvimento dos formandos na definição dos critérios (dimensão participativa da avaliação).
Essas
sugestões permitiram-nos ajustar o plano final, reforçando o seu caráter ético,
inclusivo e formativo. Para além disso, a riqueza e a diversidade das propostas
apresentadas pelos diferentes grupos constituíram uma verdadeira oportunidade
de aprendizagem. O confronto de perspetivas ampliou o nosso entendimento sobre
o design da avaliação online e permitiu-nos validar decisões, repensar opções e
crescer enquanto agentes de mudança mais conscientes.
Reflexão crítica sobre o percurso
O
trabalho desenvolvido no âmbito do Tema 4 constituiu um marco exigente, mas
profundamente enriquecedor no meu percurso formativo. A exploração dos modelos
teóricos PrACT (Amante et al., 2017) e ADDF (Bearman et al., 2016) obrigou-me a
mergulhar em conceitos fundamentais da avaliação online, confrontando-me com a
complexidade e, simultaneamente, com o potencial pedagógico de uma avaliação
verdadeiramente situada, ética e formativa.
Para
compreender estes modelos e os seus princípios estruturantes, foi necessário
desenvolver um olhar analítico e criterioso, capaz de articular teoria e
prática em coerência com os contextos digitais. Esta exigência traduziu-se na
construção de um plano de avaliação realista e fundamentado, alinhado com os
objetivos de aprendizagem de um módulo específico e com as necessidades dos
formandos em ambientes online.
A
experiência em grupo revelou-se particularmente valiosa. A colaboração com as
colegas Marília e Pâmella potenciou a construção de conhecimento partilhado, o
confronto de perspetivas e a negociação de ideias. As tarefas foram
distribuídas de forma equitativa, mas todas contribuímos ativamente para a
coesão e a profundidade do trabalho. As reuniões, as revisões conjuntas e a
reflexão sobre os feedbacks recebidos permitiram-nos crescer enquanto grupo,
mas também enquanto profissionais mais conscientes do que significa avaliar
para aprender.
A fase de discussão no Fórum A4 foi outro ponto alto desta trajetória. A diversidade das propostas apresentadas pelos grupos, aliada à qualidade dos comentários recebidos, permitiu-me repensar opções, consolidar ideias e compreender de forma mais abrangente os desafios e as possibilidades da avaliação online. Senti-me valorizada neste processo coletivo de escuta e partilha, e esse reconhecimento mútuo foi, sem dúvida, uma mais-valia pedagógica e humana.
Tal como exprime uma máxima frequentemente partilhada no contexto educativo: “Avaliar é mais do que medir: é criar oportunidades para aprender, crescer e transformar.”
Este Tema 4 deu-me a oportunidade de viver esta premissa na prática. E é com essa consciência que sigo o meu percurso docente e formativo.
Autoavaliação
Este
tema exigiu de mim compromisso, espírito crítico e uma forte capacidade de
articular teoria e prática. Considero que evoluí significativamente na
compreensão dos modelos de avaliação em eLearning e na capacidade de os aplicar
de forma rigorosa, reflexiva e contextualizada. Aprofundei competências de
análise pedagógica, planeamento avaliativo e trabalho colaborativo em ambientes
digitais.
Considero que o meu desempenho nesta atividade foi bastante sólido e consistente, tanto na componente teórica como na prática. Participei de forma ativa e contribuí ativamente para o trabalho do grupo, assumindo um papel responsável e comprometido com a qualidade académica. Estou consciente de que devo continuar a evoluir e aprofundar a minha prática, sobretudo na criação de instrumentos de avaliação mais diversificados. Ainda assim, saio desta experiência com mais ferramentas, confiança e convicção para implementar práticas avaliativas que respeitem a diversidade, promovam aprendizagens significativas e estejam verdadeiramente ao serviço dos formandos.
Termino este percurso mais preparada e convicta de que uma avaliação intencional, contextualizada e participada é condição essencial para uma pedagogia transformadora em ambientes digitais.
REFERÊNCIAS
Amante,
L.; Oliveira, I.; Pereira, A. (2017). Cultura da Avaliação e Contextos Digitais
de Aprendizagem: O modelo PrACT. In Revista Docência e Cibercultura. Vol.1,
nº1. (135-150).
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/re-doc/article/view/30912
Amante, L.; Oliveira, I. (2019). Avaliação e Feedback. Desafios Atuais. e-book,
MPV_Inovaç@o, Universidade Aberta: Lisboa 27 pp. ISBN 978-972-674-846-5
https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/8419
Bearman,
M.; Dawson, P.; Boud, B.; Bennett, S.; Hall, M. & Molloy.E. (2016). Support
for assessment practice: developing the Assessment Design Decisions
Framework, Teaching in Higher Education.
DOI:
10.1080/13562517.2016.1160217https://shre.ink/84UN
Fernandes, D. (2021). Rubricas de Avaliação. Folha de apoio à formação - Projeto de Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica (MAIA). Ministério da Educação/Direção-Geral da Educação
https://afc.dge.mec.pt/sites/default/files/2021-12/Folha%205_Rubricas%20de%20Avalia%C3%A7%C3%A3o.pdf
Panadero,
E., & Johnson, A. (2013). The use of scoring rubrics for formative
assessment
purposes revisited: A review. Educational Research Review, 9(0),
129-
144. doi:http://dx.doi.org/10.1016/j.edurev.2013.01.002
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